quarta-feira, 2 de março de 2016

A metáfora dos 5 macacos sob a ótica analítico-comportamental



Há uma metáfora, apresentada como científica, a respeito de um experimento com 5 macacos:

Um grupo de cientistas e pesquisadores colocou cinco macacos numa jaula. No meio, uma escada e no alto da escada um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para pegar as bananas, um jato de água fria era jogado nos que estavam no chão. Depois de um certo tempo, quando um macaco subia a escada para pegar as bananas, os outros que estavam no chão o pegavam e enchiam de pancada.
Com mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas. O jato de água fria tornou-se desnecessário.
Então substituíram um dos macacos por um novo. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo retirado pelos outros que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo substituto foi colocado na jaula e o mesmo ocorreu com este, tendo o primeiro substituto participado com entusiasmo na surra ao novato. Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu. Um quarto e afinal o último dos cinco integrantes iniciais foi substituído.
Os pesquisadores tinham, então, cinco macacos na jaula que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar as bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque eles batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza, dentre as respostas, a mais freqüente seria: “Não sei, mas as coisas sempre foram assim por aqui.”

A pretensão, neste texto, é realizar uma leitura analítico-comportamental da metáfora em questão.

O cacho de bananas é um estímulo reforçador primário para os sujeitos; no entanto, a escada para se obter acesso ao estímulo reforçador positivo ocasiona punição positiva a todos os membros do grupo (jato de água fria). Configuram-se contingências concorrentes, sendo que a contingência reforçadora refere-se a um indivíduo e a contingência punitiva refere-se ao grupo todo. Em uma visão darwinista, um grupo tem maiores condições de adaptação e sobrevivência em um ambiente do que um indivíduo isolado, uma vez que em grupo, há mais sujeitos trabalhando em prol de sua própria defesa, alimentação e reprodução. Então, por razões filogenéticas, os membros do grupo ficam sob controle da punição e não do reforço individual de um dos membros (pois a punição abarca o grupo todo, enquanto o reforço contempla apenas um indivíduo).
Para a manutenção do grupo e sobrevivência da espécie, os sujeitos, ao verem um dos membros tentando subir as escadas, automaticamente o punem para que ele não emita tal comportamento, pois a emissão do comportamento de subir as escadas será prejudicial ao grupo, ou seja, trará um elemento estressor e, consequentemente, aversivo (jato de água fria). A punição ao membro que tenta pegar as bananas é uma forma de manter o grupo e a espécie a salvo no ambiente.

Ao se trocar um indivíduo sem histórico de contingências concorrentes:

Inicialmente, o novo indivíduo emitirá o comportamento no sentido de prover seus reforçadores primários, baseados na filogenética, ou seja, tentará pegas as bananas. No entanto, os demais membros do grupo, pelo histórico de condicionamento contínuo (todas as vezes em que um dos membros tentou pegar as bananas, os outros membros foram punidos) irão punir o comportamento do novo membro, como forma do grupo se esquivar do estímulo aversivo. Mesmo que o estímulo aversivo não esteja mais presente (os pesquisadores cessaram os jatos de água), o histórico de condicionamento do grupo faz com que pensem que estará e, por isso, a punição em relação ao novo membro persistirá. A punição extingue comportamentos, mas gera várias consequências indesejadas como o contracontrole e reações emocionais (respondentes). Quando outro membro tentar pegar as bananas o novo membro participará da surra coletiva, imitando o comportamento dos demais. Isso ocorre por duas razões: em primeiro lugar, porque a modelação (ou comportamento de imitação) também tem valor de sobrevivência para a espécie; um novo indivíduo, que ainda não sabe como se comportar diante de todas as contingências de um novo grupo, tende a imitar os que ali já estão, pois estes já estão adaptados ao ambiente e já sabem como se comportar diante das contingências apresentadas. E em segundo lugar, porque a punição elicia respostas emocionais, como a raiva (no caso). Assim, o indivíduo que foi punido sente raiva e tenderá a se comportar também de forma agressiva/punitiva com outros sujeitos.

Assim, mesmo que o indivíduo nunca tenha passado por tais contingências, imita o grupo em razão de histórico de condicionamento operante do grupo, como forma de sobrevivência própria e da espécie e, ainda, se comporta agressivamente como consequência das respostas emocionais ocasionadas pelo estímulo aversivo (surra).

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