Há uma metáfora, apresentada como científica, a respeito de um
experimento com 5 macacos:
Um grupo de cientistas e
pesquisadores colocou cinco macacos numa jaula. No meio, uma escada e no alto
da escada um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para pegar as
bananas, um jato de água fria era jogado nos que estavam no chão. Depois de um
certo tempo, quando um macaco subia a escada para pegar as bananas, os outros
que estavam no chão o pegavam e enchiam de pancada.
Com mais algum tempo, nenhum
macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas. O jato de água fria
tornou-se desnecessário.
Então substituíram um dos
macacos por um novo. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela
sendo retirado pelos outros que o surraram. Depois de algumas surras, o novo
integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo substituto foi colocado
na jaula e o mesmo ocorreu com este, tendo o primeiro substituto participado
com entusiasmo na surra ao novato. Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu.
Um quarto e afinal o último dos cinco integrantes iniciais foi substituído.
Os pesquisadores tinham,
então, cinco macacos na jaula que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio,
continuavam batendo naquele que tentasse pegar as bananas. Se fosse possível
perguntar a algum deles porque eles batiam em quem tentasse subir a escada, com
certeza, dentre as respostas, a mais freqüente seria: “Não sei, mas as coisas sempre foram assim por aqui.”
A pretensão, neste texto, é realizar uma
leitura analítico-comportamental da metáfora em questão.
O cacho de bananas é um estímulo
reforçador primário para os sujeitos; no entanto, a escada para se obter acesso
ao estímulo reforçador positivo ocasiona punição positiva a todos os membros do
grupo (jato de água fria). Configuram-se contingências concorrentes, sendo que
a contingência reforçadora refere-se a um indivíduo e a contingência punitiva
refere-se ao grupo todo. Em uma visão darwinista, um grupo tem maiores
condições de adaptação e sobrevivência em um ambiente do que um indivíduo
isolado, uma vez que em grupo, há mais sujeitos trabalhando em prol de sua
própria defesa, alimentação e reprodução. Então, por razões filogenéticas, os
membros do grupo ficam sob controle da punição e não do reforço individual de
um dos membros (pois a punição abarca o grupo todo, enquanto o reforço
contempla apenas um indivíduo).
Para a manutenção do grupo e
sobrevivência da espécie, os sujeitos, ao verem um dos membros tentando subir
as escadas, automaticamente o punem para que ele não emita tal comportamento, pois
a emissão do comportamento de subir as escadas será prejudicial ao grupo, ou
seja, trará um elemento estressor e, consequentemente, aversivo (jato de água
fria). A punição ao membro que tenta pegar as bananas é uma forma de manter o
grupo e a espécie a salvo no ambiente.
Ao se trocar um indivíduo sem histórico
de contingências concorrentes:
Inicialmente,
o novo indivíduo emitirá o comportamento no sentido de prover seus reforçadores
primários, baseados na filogenética, ou seja, tentará pegas as bananas. No
entanto, os demais membros do grupo, pelo histórico de condicionamento contínuo
(todas as vezes em que um dos membros tentou pegar as bananas, os outros
membros foram punidos) irão punir o comportamento do novo membro, como forma do
grupo se esquivar do estímulo aversivo. Mesmo que o estímulo aversivo não
esteja mais presente (os pesquisadores cessaram os jatos de água), o histórico
de condicionamento do grupo faz com que pensem que estará e, por isso, a
punição em relação ao novo membro persistirá. A punição extingue
comportamentos, mas gera várias consequências indesejadas como o contracontrole
e reações emocionais (respondentes). Quando outro membro tentar pegar as
bananas o novo membro participará da surra coletiva, imitando o comportamento
dos demais. Isso ocorre por duas razões: em primeiro lugar, porque a modelação
(ou comportamento de imitação) também tem valor de sobrevivência para a
espécie; um novo indivíduo, que ainda não sabe como se comportar diante de
todas as contingências de um novo grupo, tende a imitar os que ali já estão,
pois estes já estão adaptados ao ambiente e já sabem como se comportar diante
das contingências apresentadas. E em segundo lugar, porque a punição elicia
respostas emocionais, como a raiva (no caso). Assim, o indivíduo que foi punido
sente raiva e tenderá a se comportar também de forma agressiva/punitiva com
outros sujeitos.
Assim, mesmo que o indivíduo nunca tenha
passado por tais contingências, imita o grupo em razão de histórico de
condicionamento operante do grupo, como forma de sobrevivência própria e da
espécie e, ainda, se comporta agressivamente como consequência das respostas
emocionais ocasionadas pelo estímulo aversivo (surra).

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